sábado, 10 de maio de 2008

Sobre o Carvalhido algumas palavras

Via-se o mar. Era afinal um prédio clandestino, sobranceiro a uma quinta própria destes terrenos de transição entre a malha urbana do Porto e as terras de saída para os campos da Maia – terras de Ramalde e Paranhos. Curioso, não me lembro de coisas de depois, do lugar de garagem por ex.
Lembro-me sim da porta do apartamento, a porta das longas despedidas, onde perdi vários comboios, desvio o discurso para referir que foi ali muito perto uns 50 metros que por uma única vez chamaram-me à atenção por ofensa ao decoro - já não tenho bem presente a ofensa. Naquela porta sim, perdeu-se variadíssimas vezes o decoro e a postura, eu pessoalmente portanto vários trnsportes, futebolisticamente hoje falariam do autocarro estacionado em frente da baliza porém haveria muita injustiça nesta avaliação, ele há gestos que com certeza terão acontecido, eu juraria, aliás tirei apontamentos, escrevi até uns versos (por falar nisso, onde estão os meus versos?), vou só desviar o discurso para uma manhã na casa e na cama da casa da prima solteira de F., nunca o desejo terá sido mais sincero, real, doloroso. E incapaz. Não decorei as falas que então usava, eis porque hoje me vejo reduzido a uma ausência pungente de todo e qualquer discurso lírico eficaz. Foi-se.
Era um prédio clandestino, ali depois acompanhei a construção da Via de Circulação Interna, primeira fase. Fora começava a acontecer o que dentro se desenhava – movimento, mudança, velocidade, uma noite houve em que o vizinho do lado tentou destruir uma fechadura entretanto mudada pela companheira de apartamento – alugado (só podia!), sem rebuço pelo barulho que fazia, nem chamava, apenas fazia o seu trabalho, à martelada, uma boa meia hora, num gesto pornográfico de substituição, nessa noite não consegui dormir.

Sem comentários: