
Do silêncio posso dizer que gosto. Passeio nele como quero. Passeio não: paro. Sento-me. Vivo sentado ou deitado e não mais. O esforço físico não é mais do que o que está dito: um esforço. Esforço-me o possível para não o praticar.
Agradeço estes tempos silenciosos a uma feliz conjugação de factores. Horários, depressões teatralizadas, you name it. Ainda bem. Lembro-me claramente dos antecedentes. Tinha um calendário pendurado numa porta onde os dias eram julgados bons ou maus, sendo os bons aqueles em que “conseguia falar”. E do quê? O assunto era o menos importante, sempre um banco de neblina vinha descer sobre nós os dois – era eu então um douto namorado de B. – em qualquer vau de rio onde subitamente a folhagem limpava, sobrava a água o tempo e uma forma diferente de fazer tiquetaque - o que dizer, o que fazer, as mãos caídas ao longo do corpo (outra questão as mãos, imprecisas armas...). Dura aprendizagem pois começara do nada, do zero mais rasteiro, da ignorância mais retorta - depois no calendário o veredicto. Na mesma porta ao lado um cartaz: “Porta-te Bem! Coragem!”. Vai-te foder!
Sentimentos amplificados de desgosto levam-me hoje em dia a evitar toda a gente. Preferia ser invisível, completa e aturdidamente, e que esta floresta urbana que frequento me escondesse completamente, sendo a minha maior defesa contra tudo e contra todos. Como para aquele pequeno animal avermelhado comedor de bambu das florestas asiáticas de média altitude e que, dizem, está em perigo de extinção.
Agradeço estes tempos silenciosos a uma feliz conjugação de factores. Horários, depressões teatralizadas, you name it. Ainda bem. Lembro-me claramente dos antecedentes. Tinha um calendário pendurado numa porta onde os dias eram julgados bons ou maus, sendo os bons aqueles em que “conseguia falar”. E do quê? O assunto era o menos importante, sempre um banco de neblina vinha descer sobre nós os dois – era eu então um douto namorado de B. – em qualquer vau de rio onde subitamente a folhagem limpava, sobrava a água o tempo e uma forma diferente de fazer tiquetaque - o que dizer, o que fazer, as mãos caídas ao longo do corpo (outra questão as mãos, imprecisas armas...). Dura aprendizagem pois começara do nada, do zero mais rasteiro, da ignorância mais retorta - depois no calendário o veredicto. Na mesma porta ao lado um cartaz: “Porta-te Bem! Coragem!”. Vai-te foder!
Sentimentos amplificados de desgosto levam-me hoje em dia a evitar toda a gente. Preferia ser invisível, completa e aturdidamente, e que esta floresta urbana que frequento me escondesse completamente, sendo a minha maior defesa contra tudo e contra todos. Como para aquele pequeno animal avermelhado comedor de bambu das florestas asiáticas de média altitude e que, dizem, está em perigo de extinção.

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