quinta-feira, 31 de julho de 2008

Agosto todos os anos.

Amanhã Agosto e tudo preparado. Era assim todos os anos. Fazer as malas, comprar bilhetes de avião para um destino muito turístico do outro lado do oceano, desaparecer. Já conversara com a sua mãe, nada de despedidas no aeroporto, detestava, a despedida era sempre à porta de casa, a casa de sempre que as duas partilhavam. O táxi depois partia, o carro Audi A4 ficava no emprego e era aí que o táxi afinal terminava a sua viagem, acabava sempre por dizer ao homem "mudei de ideias" e ele que sim, taxista não está feito para pensar ou se pensa não está provado que leve menos tiros. Chegada ao seu A4, logo o ritual da mudança das malas e o esmagar do telemóvel, fazía-o com autêntico prazer, primeiro atirava-o contra uma parede duas, três vezes, depois o bendito uso do tacão permitia uma destruição completa. Despedia-se então do tacão durante um mês, agradecendo-lhe os serviços prestados. Telefonaria todas as noites, oficialmente de Aruba ou parecido, na realidade de Fisterra de Galiza onde alugava casa todos os verões há doze anos, ninguém sabia. O anonimato perfeito. Na volta oferecia-se um telemóvel novo, executava à perfeição o número da parva que tinha perdido o dito, ora desculpem todos, e logo eu que trabalho numa seguradora.
Um mês por ano era completamente feliz.

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