terça-feira, 25 de novembro de 2008

Porto descendente

Era meio-dia e caminhava pela Praça da Batalha adiante. Via-se assim mesmo, era esta caminhada um exemplo da vida irregular que levava, dos perigos, dos enganos. Assim esta praça, irregular na forma e cada vez mais no conteúdo, Porto igual a Nápoles menos a organização.
E via-se a caminhar no meio dos legos que montava quando miúdo, e a maior caixa estava agora pintada de amarelo e era um teatro, nacional. E pensou-se como um tipo que fazia cenas. Um encenador. Que os havia muito importantes, nomes que circulavam nas praças públicas de aquém e além o dia-a-dia de uma pessoa normal, como ele. A pensar que fazia uma cena. Olhou à sua volta. Sabia ser a população circundante gente de impressão difícil, papel onde a tinta iria escorrer e perder-se ficando a a folha em branco. Isso, era esta gente uma resma de páginas em branco, por escrever. Só que um encenador não escreve nada. Reescreve. Muda. Recompõe. E repõe se bem sucedido. Um encenador é nada.
Ao fundo uma rua reconformada para avenida de acesso a uma nova ponte. A rua agora avenida descia bastante, já descia assim quando ainda era rua somente, era difícil não estugar o passo, uma opção seria rolar por ali abaixo mas a ponte impedia qualquer opção mais desperada que não o mergulho voluntário, pensado e ensimesmado. Outro encenador ali decidira.