quarta-feira, 23 de setembro de 2009
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Animal
Só dias depois me apercebo como falaste comigo. O filme que se empresta, o amigo interposto, a frase terminal “enquanto trabalharmos aqui os dois”, alguma mudança de itinerário. Eu, amigo do silêncio, não ouço os lentos maquinismos, as manobras de relojoaria, o lento elaborar do distrate. A minha amizade é afinal uma surdez profunda. Quererei ouvir? Caminhas sem deixar pegadas, mexendo as lentas peças do xadrez de quem sabe nunca terá outra opção que não tombar o rei ao nem ser rainha. Ou parar de jogar sem mais.
Todas estas manhãs a tua solidão atrapalha-me. Também por me saber não animal de companhia.
Todas estas manhãs a tua solidão atrapalha-me. Também por me saber não animal de companhia.
Limpinho!
Não quero magoar-te – não quero. Aliás, nem eu sei muito bem o que quero. Por fios que noto, sinto, reparo, sei que estou preso. A Custóias, onde passo todos os dias. Preso. E tu serias uma janela, uma porta, uma ponte. Um caminho. Uma saída. Como um fim-de-semana fora. Uma fiança paga não sei por quem mas paga. Um cigarro. Só não quero magoar-te. O que impede tudo, percebes, tudo. Porque no fim, no fim do fim, finalmente quando as coisas foram feitas como deve ser, a dor será tua. Porque há sempre dor.
Queria acabar com tudo. Não posso. Optei por acabar contigo - curiosa expressão, tem a versão boa e a versão má, comecemos pelo bem e deixemos a maldade para o fim. Sim, prometo, acabarei contigo, limpinho!
Queria acabar com tudo. Não posso. Optei por acabar contigo - curiosa expressão, tem a versão boa e a versão má, comecemos pelo bem e deixemos a maldade para o fim. Sim, prometo, acabarei contigo, limpinho!
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Already an old one
Está o convite feito, nunca preencher nenhum papel para. Dou-te um mesada e nisso está o teu trabalho. Coleccionas palavras como "oligofrénico", e expressões como "his master’s voice", e gostas do House, aquele médico coxo, inclusivé na medicina que pratica. Não sei porquê vejo-te com muitas almofadas à volta , não sei porque estou aliás a imaginar isto, bastava perguntar-te – de nós os dois quem tem mais gozo com isto tudo, ou nada. Mas nenhuma lenda se poderá aplicar a desembrulhar este embrulho, palavra mágica ou episódio explicativo em horário de vcr. Aliás, já és uma princesa, nem precisas do meu beijo, para quê preocupar-me então.
Fiquemos por aqui: quem me prepara um café dá-me vida. Dás-me portanto vida. Uma vida pequenina, mas é vida. Assim como um recém-nascido. Chama-se a isto uma transfusão. Podes ficar com o novo uso para esta palavra, que re-inventei agora mesmo para ti.
Fiquemos por aqui: quem me prepara um café dá-me vida. Dás-me portanto vida. Uma vida pequenina, mas é vida. Assim como um recém-nascido. Chama-se a isto uma transfusão. Podes ficar com o novo uso para esta palavra, que re-inventei agora mesmo para ti.
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