sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Animal

Só dias depois me apercebo como falaste comigo. O filme que se empresta, o amigo interposto, a frase terminal “enquanto trabalharmos aqui os dois”, alguma mudança de itinerário. Eu, amigo do silêncio, não ouço os lentos maquinismos, as manobras de relojoaria, o lento elaborar do distrate. A minha amizade é afinal uma surdez profunda. Quererei ouvir? Caminhas sem deixar pegadas, mexendo as lentas peças do xadrez de quem sabe nunca terá outra opção que não tombar o rei ao nem ser rainha. Ou parar de jogar sem mais.
Todas estas manhãs a tua solidão atrapalha-me. Também por me saber não animal de companhia.

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