domingo, 11 de outubro de 2009

Noves fora cinco.

É a mentira então aquela forma que nós temos de conviver com a verdade. E a mentira primeira é a consideração tida de que em todos os momentos, cafés tomados, paragens de autocarro, a circulação dos gestos, das mãos, do pensamento incontido, será gerida por um mesmo gerador, virado a norte ou a sul mas se norte norte, mas se sul sul.
Neste ponto da viagem costumo contar a história duma amiga minha que durante uns meses manteve um platónico esquema com alguém também conhecido meu. Algum desvario e bastante cansaço depois foi a olhar para o mar ou equiparado que ela lhe terá dito que não podia separar-se – pois, era casada – o desgosto para os pais, a incerteza própria e uma incorrigível sensação de menos-valia, desculpa, desculpa, desculpa. Dois meses passados estava a moça saída de casa, telefonou e comunicou ao meu amigo a decisão tomada em Las Palmas com direito a avião mais cedo. Porém e consultados os partidos parlamentares ela acabou por ir viver com outro homem, e não vamos qualificar parametricamente porque este homem sim teve prémio, porque o meu amigo não , caso este pelo mundo conhecido e comentado, afinal não há desvario que não traga desvario maior em cima. Mais um ano e eis a minha amiga recasada com o primeiro evento, o marido índice, e grávida. Tem dois filhos, pararam ali as placas tectónicas de mexer, para nunca mais, eu sei, já lá dizia Vinicius de Moraes.

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