quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Pode ser em Leça, depois não sei...

“Está bom?” Faltavam quinze minutos para as nove, o restaurante detinha pouca gente, e a um canto o dono e um grupo de amigos eram esta pouca gente. E nós, claro. “Olha, o amigalhaço do patrão já acendeu um cigarro. E isto não é a zona de não-fumadores?” “A mim não me incomoda. E por aqui não há crianças...” Era isso, o restaurante fazia-se estranho, perguntando-nos o que estávamos ali a fazer. Pergunta pertinente... “Não há crianças, vírgula...” “Não venhas tu agora revirgular a coisa!” “Jovem, corrigindo o escalão etário, ahnnn... virgular, revirgular?...” “Ah, pois, tu julgas que lá porque trabalho onde trabalho as palavras...” “Novas! Como as batatinhas...” – interrompi.
Não, circulávamos, era circular o nosso caminho, digo. Isto não ia dar a lado nenhum. “Mas está boa a comida?” Pois de comer se tratava, e afinal era meu objectivo inverter o verbo e permitir a colheita de algo que pressentia do outro lado urgente: demolição e prazer. Para os dois gestos ou chamem-lhe actos vinha a preparar-se há meses. Sentia que nunca tinha visto tanto, e porém que devastação! Percebia um plano, algo confuso, de desurbanização daquele corpo, gente, mulher fantásticamente perdida no tempo, mas não no espaço porque ali estava. Implodir primeiro, explodir depois.
“Depois onde vamos?” “Ter contigo onde tu quiseres...”

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