Quando o trânsito intestinal se torna assunto, as coisas não andam bem. Mas vamos arriscar, pois disso se trata.
Posso dizer que tive uma infância e uma adolescência obstipadas. Não me vou estender sobre o assunto, vou sim confessar o que foi sempre o meu espanto pela regularidade metronómica do meu pai, transitando regularmente todas as manhãs antes de ir para o emprego, sem mais. Assim foi sempre, assim é ainda, embora agora sem emprego.
Viajemos até aos aconchegos dos dias de hoje. Acrescento um facto importante: a minha dieta actual é, com frequência, bem mais mediterrânica do que já foi. Tresanda a saudável por todos os poros. Não tenho culpa: assim me é servida. E, por um lado, até gosto. Isto dos lados mereceria outra explicação. Claro que tanta verdura tinha que ceder vez a alterações substanciais na tramitação intestinal do meu expediente, já que nem por isso o Sporting tem sido campeão mais vezes, alternativa possível para uma rima em verde, cor de que falamos.
Agora uma coisa confesso: não é esta tramitação hoje mais acelerada de que falo tranquilamente silenciosa e contumaz como a de meu pai era, é, será. Acredito que, por influências do escafandro, explico, de convívios estreitos com várias variações da síndrome do cólon irritável, alguma que outra urgência colónica me tenha surgido, sido induzida por estas vizinhanças. O trânsito acontece-me hoje em dia on a daily basis but regularity unknown, e com paroxismos que podem ocasionar eventual estorvo.Lá está, plasma-se a observação no observador que não no observado.
E arrico-me eu a terminar a sessão todo cagado.
Mais um assunto sobre o qual nunca pedi opinião e ajuda ao meu pai - assim fosse e talvez ele me explicasse o mistério do metrónomo e outros mais.
domingo, 31 de janeiro de 2010
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