Ando ultimamente a dormir pior. Nunca tive problemas em adormecer. Até estes últimos meses. Ocasionalmente, em tempos de maior stress, incerteza, peso, ou até descompressão, ou paradoxalmente o que afinal era o contrário, uma enorme dor de cabeça ocupava-me a noite, e aí não dormia. Não dormia até que o grama de paracetamol ou de aspirina, ou a sua combinação, mais o sentar e a sedação televisiva, tudo isto em conjugação progressiva e lenta, fizesse o seu efeito. Uma noite espaçada por um mês ou meses.
A minha mãe toma lorazepam para adormecer desde que a conheço como mãe. A dose nunca foi subida nem descida excepcionalmente, e tem variado com a vária vida que ela tem tido. Agora cuidada por gente mais da área, outras medicações alijarão as costas do lorazepam do esforço completo, mas pode-se dizer que há quarenta anos que a minha mãe não dorme sem a ajuda de fármacos. Um elogio ao fármaco, até aí podemos ir. Pertence ela aquele grupo de mulheres que ocasionalmente proclama o fenómeno estranho de “não dormir há uma semana, ou mais”!... Podemos assumir que estivémos a falar de um tirocínio para conversas posteriores. Todos os meus esforços para a redução desta dependência enquanto nova/novo foram em vão. E possívelmente desnecessários.
Convivo a nível laboral com quem dorme mal. Podemos seguir muitas pistas sobre o porque a minha antiga e distante amiga (e chefe) dorme mal. Fala-se de exageros medicamentosos. Conjura-se uma rinosinusite com pólipos de difícil estabilização mas, ah!, sobre isto falaremos (também) outro dia! Assumo que tudo junto e fatiado esta minha amiga levará sempre para o leito que é como quem diz a noite, uma e a mesma coisa, um desgosto que em grande parte será o de um mundo perfeito cinzelado a metal que ela queria que fosse mesmo assim e não é. Outras hipóteses se colocam, mas por aí não irei, por sumo respeito e vasta ignorância.
Mas há outro tipo de insónia, e esta partilharei com outra conviva, ao de leve, tangencialmente, ou mais do que isso. A de um tempo que se pede extra de despertar e acicate quando a hora já é adiantada e o ferver do dia soube a pouco, e as contas não batem certo, e as histórias começam a cruzar-se, o sonho, as palavras mágicas, caruma, restolho, algodão em rama, zigurate, que porém chocam com palavras outras remetidas do mau dia que foi sendo, e nunca mais vem aquele tapete voador prometido. Não vem, mas esperamos sempre.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
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