Assumo que sonho agora pouco contigo. As minhas noites são calmas e tranquilas. Cismo um bocado, mas de dia. Sendo que a palavra suscita-me considerações historicistas - O Grande Cisma, etc. - e daí derivações sobre aquele momento em que discordei de ti. Sem razão, dizias. E sem pena desapareceste. "Quem é ele?" Rias e disparatadamente, até as lágrimas te virem aos olhos, rias, mas não comigo, e um abcesso abria e revia pús entre o coração e o estômago, aproximadamente. Isto tinha que envolver o diafragma e distorcer abundantemente o esófago, enfim, tudo deixava de funcionar. E dizias o nome dele, já nem me lembro quem era, e encolhias os ombros: "ora pensa lá se isto tem lógica...", e continuavas a rir. Como eu gostava que o teu riso fosse à minha frente e por mim, as lágrimas de riso um sinal de sucesso, era cada vez mais difícil o sucesso entre nós. Tinha uma agenda onde anotava os dias bons, uma agenda cada vez mais despovoada. Naquele dia tracei um risco. Terias razão no que dizias e eu sabia, sabia, mas era superior às minhas forças.
Lembro que antigamente as leiteiras falsificavam o leite com urina, elas próprias urinavam para dentro dos recipientes, assim constava. Acho que a urina não adulterava o pH ou a densidade do leite, e os fiscais não reparavam. Durante algum tempo assim fizeste com a nossa relação, intenção mais benigna que a das leiteiras de então, acredito. Um belo dia porém de bexiga vazia decidiste cortar cerce o cancro: "não te aguento mais!".
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário