Acordo, não acordo. Os dentes para depois da primeira bebida, Matinal. Que foi aquecida. Ainda o vento não protagoniza o dia, a soprada chuva. Nova camisa, a cara lavada. Que não a barba. Não, não quero outra torrada. Levo e trago uma futura figura do meio musical português. Volto e vamos. Cavalos que se recusam trabalhar, mas é sábado, sabiam? Mais um pato trucidado ao almoço. Água. Corrijo, estava bom. E depois? Um pião na saída para Leça, em uma hora chega a polícia, não sabem de mim, distraídos. Nunca sou eu o homem que vai preso. Os eucaliptos aguentam. Bandeiras de espuma no mar encapelado, a religião a sublimar a tempestade que nem por isso. As compras do mês de toda a gente, o telefonema preventivo, antes. Palmeiras anãs aguentam. Imóvel a ponte móvel. A pouca surpresa de todo o lixo à porta de casa, decidiu o vento que não era para reciclar hoje, os contentores derrubados. Lembras-te ainda de ontem? Subir, que é sempre o princípio do fim. Um pinheiro de brincar caiu, confortá-lo. Voam pratos e chove fininho. Bombeiros e um banho. Lentamente a humidade fecha a porta. Por duas vezes pensei comprar um kit de magia, comércio português para uma ilusão feliz. Não comprei. Cinco filmes cinco? Como as refeições que recomendam, as nunca feitas coisas correctas para uma longa vida, puta que pariu a longa vida. Quatro anos tinha e a publicidade que mais me fascinava era aquela dos cigarros muito mas muito compridos no Século Ilustrado. E falta a merenda, talvez um filme infantil, nenhuma discussão por mais breve, vários níveis de silêncio para sobremesa. Ou vá de criticar as pessoas do costume, enrolar uma que outra história e criar a cortina de fumo que a hora está a pedir. Contacto, chegou a hora do filme. Não fujo, não posso fugir. Não há palavra que não se desdobre em duas, agora reparo. Falo das encomendas para as quais não chego, e ganho a súbita certeza que já alguém me encomendou a alguém. Que hoje se descer a corrigir o estacionamento do carro ou depositar o lixo em local propício para que o vento o desate, receberei um tiro. O primeiro sorriso do dia. Mas não. O congelador está preenchido com a repetição de um aviário oferecido, como podes tu continuar a congelar o coração? Cala-te, caralho! Vejamos, haverá um momento Bach, e um que outro exercício de distensão atmosférica. A roupa lá fora, colisões assumidas dentro. As compras, arrumá-las. Poucos euros para catorze itens. Músculos a trabalhar, tensão que não termina. E sobre o estirador a folha em branco. A circunstância de Ortega y Gasset assombra a casa e conduz os diálogos a bom porto, apesar do número de barras fechadas no país ser elevado. Há sempre uma solução, que é o tempo que progride, a mão que fechada pende e cede. Já é noite e está quase.
E tu, que fazes tu aqui? Não te despedes, não dizes até amanhã? É suficiente lenitivo afirmar que sou eu a pedir-te que fiques e comas comigo a mesma refeição? Um beijo, deixa-te estar, serve-te. Reparo que a sopa está líquida e junto-lhe pão.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
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