terça-feira, 6 de abril de 2010

15

1.

Estava o mar encapelado.
Cinza o ar todo. Não tinha eu fumado
O dia. Perdido veículo de
Expressão, porque na manhã
Aberto?
Interessante para passeio,
Disseste. Que caminho queres
Tomar, falamos de um castelo?
Gaia, Canidelo.
Os peixes, mais do que um signo.

2.

Ligas o computador, desligas
A luz de um quarto. Movem-se
As imagens num rectângulo
Tamanho médio. Expressão que me
Definirá. Medir este quarto com um pau
De fósforo.
O mar, o vento, o meu silêncio, três
Chagas que um cristo qualquer poderia
Amenizar recorrendo ao minibar.
Eis, vagamente, o meu corpo.
Eis, concretamente, a tua noite.
Terra em vaso.

Porque esperas.

3.

Um dia voltarei a ter a razão do meu lado.
Nem me lembro da última vez.
Dás-me a tua razão de pé porque me sento eu,
E assim já se conversa.
Será um ‘otel, escolhe tu a primeira letra.
Expostos, não escolhidos
Visitantes.
A mais nobre das profissões ser
Aqui arqueiro, onde
O alvo.

4.

A frente oeste não existe.
Procurei-a de Azurara a Lavadores e
Não está.
O mar faz o seu trabalho, disfarce e
Solução. Aviso sonoro.
“Cala-te!” ou “Não deixes de dizer aquilo!”.
“Empresta-me cinco euros para o almoço”.
Em mil pedaços uma noite.
A pouca alegria no que
Reconheces, cantando.

5.

Vou comer ainda menos,
Magistratura de influência.
Voltarão as cores à sua
Simples frequência, assim os verdes
Não mais desdobrados,
Deslumbrando.
A pequena fala sucedida
Sucederá. Pastilha azul,
Spray milagroso. E nelas
Toda a nossa culpa
Distribuida.

6.

Conto os dias que
Faltam: não sei contar.
Em todos os sentidos
Dedos. Os olhos
Escuros, mediação.
Digo: o tempo
Tombado a teus pés.
Disse? Não registo.
Trabalho de recolha de
Efluentes, soberano, moeda
Antiga. Em nenhum registo
Constarás.

7.

Posto não haver tempo disponível
Será preciso pedir o empréstimo do
Costume.
Credito à habitação dos dias.
Que será uma ilha,
Onde o precário
Abrigo.

8.

Do rio es-
Tirar um curso,
Saltar o leito,
Evitar a corrente
Mais forte,
As mais a mim chegadas.

Será preciso tirar um curso.

9.

O isolado fogo tem a
Baixa temperatura da
Palavra certa uma e
Outra vez.
Vigio. Escrevo entre
Escritos. Acabo?
Dois faróis assinalam
A barra de Aveiro.
Manobrar.
Ou isso.

10.

Devastada ideia
No ano findo.
Nada resta,
Pequenos animais alimentam-se de.
Não sossego. Não alimento.
Pasto de chamas, fogo lento.
Lentos pastores,
Opostas cores.

11.

Como podemos esperar.
Um cofre: nem sequer
A palavra pesa. As
Mãos abanam. Vento,
Vento. À porta da casa
Branca a guardo.
Chave, ignição, no automático
As luzes, o resto.

12.

Eu um pouco: “sou um pouco…”
Muito e bastante, em especial.
Um continente, modelo. Não, o
Habitual tamanho. Revestido.
Da atenção ao acto a revolução e
Almansil, por exemplo. Ou a
Golpe de gesto ou com cartão de
Pontos.

13.

A tua parte do texto
Foi-se, fugiu.
Por ex.: “Não mudarás a
Tua vida!” “Estás bem assim!”
Pre-cozinhado, pré-
Aquecido. Ou lembro aquela
História das omeletes
Sem ovos. E
Sem cavalos o auriga.

14.

“…e escurinha!” A doença e a Nossa
Senhora do pela tua saúde!
Ou a perene indisposição para
Umas coisas, como por ex. uma
Longa viagem.
Entrelinhas veio de Rio Mau a
Lampreia, que é de Penafiel,
Arrifana.
Que horas são já no teu relógio?

15.

Se sozinhos vivem os meus poetas
Passarei a limpo este nosso tempo
A quase nada cor o pequeno
Almoço aos poucos quinze a
Vinte minutos escassearão as
Formas o termo tudo perderá
Definição alfa ómega
Radiação cósmica mas não
Esqueço não esquecerei
“Sou a mais vulgar
Das mulheres.”

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