segunda-feira, 3 de maio de 2010

12ª cefaleia.

No fim-de-semana acontece também que há a família, e que a família pede presença. Aí é-me difícil imitar o que completamente desconheço. Lembro que mesmo em dias de fino convívio a família era como que o espaço exterior, a cintura de asteróides para exploração dentro de séculos, não para nós evidentemente. Não, nada sei sobre a tua família. Mas porém assumo, pelo pendular de alguns movimentos, pelo recitar das horas dominicais que vou anotando, que a familia acontece, não só mas mais ao fim de semana. Assim faço portanto também, remato as medidas de higiene da Cefaleia, meto-a no carro e dedico umas horas a monosilabicas e ou circunstanciais conversas com os meus pais, sendo o tempo fatiado e a baixa política partida em rodelas. Como como não como durante a semana, pois em casa de meus pais micro-ondas é palavra e objecto ausentes. Também o diálogo não se estende às minhas recentes e estranhas rotinas, desistiram eles há muito de me entender, condicionar, dar sequer alguma sugestão sobre um sentido ou uma direcção de vida. "Estás bem filho?" "Estou óptimo!", respondo. E salto da Economia para o Desporto. "E a tua roupa?" "Tenho-a vestida!"

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