segunda-feira, 31 de maio de 2010

Les Herbes Folles

Boa noite. Vou agora explicar-te porque nunca te falei muito sobre o filme “Les Herbes Folles”. Alain Resnais é uma fixação como outra qualquer. Na realidade não vi tantos filmes dele quanto isso, nem tenho uma opinião tão firmemente positiva sobre a sua produção, nenhum raciocínio encaixado para debitar quando preciso sobre a sua genialidade. Tenho uma lembrança a um tempo muito forte e muito perdida sobre um filme chamado “L’Amour A Mort”, e só o título assusta-me por isso tardarei em revê-lo. Lembro também de ter visto um êxito recente dele, “On Connait La Chanson”, um filme musical (!), uma comédia de costumes doce-amarga, que estou a rever aos bocados. Lembro ainda “I Want To Go Home”, e este sim, gosto, gostei e gostarei, porque é um filme envolvente, optimista, quente. Não “Les Herbes Folles”, não. Este filme de que falo trata de pessoas sozinhas, metidas na metade da vida ou para a frente disso. Um pouco alteradas da cabeça, ou ou pouco mais. A dos seus desencontros e suas consequências, implacáveis, impossíveis de deter, como as “ervas daninhas” de que trata o título e vai lembrando em fotogramas através do filme. Vês e vais pensando: “isto não vai acabar bem”… engoles a frase em seco, olhas por ti abaixo, rezas para que assim não seja, tentas apagar o espelhismo mas não funciona. Não, não vai acabar bem, em bem, o delírio dos protagonistas leva-os a ínvias decisões que Resnais retrata com um humor seco e brutal. Tanto que a sequência final podia ter sido intitulada “A braguilha assassina”… enfim. Sabine Azéma e André Dussolier são vivos retratos de uma loucura possível.
Não gostei de me ver ali (um pouquinho…) no filme, não gostei, Resnais um dia destes vai aparecer-me em sonhos e dizer: “não digas que não te avisei”…

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