Há anos e anos que amo a tua cidade. As suas ruas, os seus enganos, o sujo e abstracto chão medieval.
Há anos e anos que amo a tua cidade. Já fiz várias vezes a corda completa do seu rio violento, animal de disfarce nunca completamente tomado. Procuro a tua cidade quando chove e atravesso as praças exuberante. Sofro o castigo da tua cidade ao sol e busco refúgio debaixo dos beirais e abraçando as montras assombradas. Levanto o empedrado novo “tipo Ibérico” e parto alguma coisa para manter o nível, é muito importante manter o nível numa cidade assim, subida, inclinada, desmantelada. O nível do óleo, entendes-me? À antiga calçada dou um beijo ou uma mija, depende.
Que pena a tua cidade, estão a esventrar-lhe a alma, os Aliados, as Cardozas, essas merdas tipo residence tipo tiro nos cornos.
Que pena, agora que decidi que cidade amo, eis que estão a fodê-la à grande, confesso que, ignorante da nomenclatura, não sei se é à francesa, diz-me tu…
Bom, acabem lá com a cidade, façam lá o servicinho, não se preocupem. A cidade de que falo nem sabe que existo. Mas neste desencontro tenho vivido estes anos todos, e tem dado para os gastos. E tu…
terça-feira, 18 de maio de 2010
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