sexta-feira, 21 de maio de 2010

Uma simples carta.

É mesmo assim: tu não acreditas que eu me separe. Se eu me separar pensarás que apenas quero provar que sou capaz. Bom, e assim estamos de encravados. E possivelmente continuaremos. Nunca o que é bom para sempre dura? Talvez não. Mas se não o provarmos como saberemos? Que é bom, o quanto tempo dura…
Não. Não estou assim tão deprimido. Vou estar provavelmente, depois da bomba atómica ser largada. Tenho imenso medo da reacção da Cata. Da Angeles é diferente. Tenho pena, muita. Mas agora estou a faltar-lhe ao respeito e à verdade. E há demasiado tempo. Tenho imenso medo da reacção da Cata. Mas prosseguir aqui é mentir-lhe. E ela não merece um pai mentiroso.
Eu sei que a minha despedida – que, repito, não o foi – foi atabalhoada, etc. Foi precisa. A tua presença diária impedia-me de entristecer. Tu não imaginas o bem que me fazes. E eu sentia isso e tudo ficava mais confuso. Muitas vezes eu pensava: porquê mudar? Mas há meses que eu penso mudar! Esta semana serviu definitivamente para “assentar ideias”.
Eu quero fazer-te feliz, Cristina! Não sei se só um dia, se uma semana, um mês, um ano, dez… É isto, é o que eu quero. Voltei a mandar-te sms, etc. de alguma forma para reatar um pouco os nossos canais de comunicação. Quando eu sair de casa, assim a coragem aconteça, talvez demore algum tempo a podermos voltar a estar cara a cara, eu apalermado, tu de esquina… Vou ter que fazer algum luto de tudo isto, catorze anos, suponho que vai ser muito mais difícil do que sequer imagino. Posso até voltar atrás. Mas parece-me pouco provável…
Um dia, um dia, um dia, vou telefonar-te, procurar-te, sei lá, e vou pedir-te muito a sério, que é como quem diz, com um sorriso de orelha a orelha, se queres namorar comigo. Vivo a pensar nesse dia. Espero que a tua resposta seja a que eu DESEJO.
Se não for, valeu a pena tentar, porque a vida… É ISTO! Tentar e tentar e tentar…

Sem comentários: