quarta-feira, 7 de julho de 2010
I can't make you love me - Bonnie Raitt
Há tb a - boa - versão do Jorrge Miguel mas esta é a original, e é melhor. E pronto!
Zenith de Moscovo
Quando o sol está no zénite, é porque está muito lá em cima. Em 1993 houve muita coisa. Mas houve sobretudo um dia em que tu estavas de férias e eu estava louco por te voltar a ver. Porque trabalhávamos juntos - e que bem trabalhávamos juntos! - e estava exausto, partido, amassado por tu não estares. Era sexta-feira e dia de consulta, à tarde. Dia que mais ninguém gosta para fazer consulta. Sabia que voltavas, que voltarias, que ias voltar, mas para a casa tua, casa longínqua e estranha onde entrei uma única vez. Assim como cheguei a conhecer a outra pessoa que lá morava, a cumprimentá-lo, a desejar-lhe "as melhoras!" por um qualquer merda renal. É assim. Mas era sexta-feira e dinamicamente a consulta seguia o seu curso. E batem à porta. E eras tu, em glória aleluia! Sim, depois magoaste-me muito, demasiado, tão demasiado! Mas hoje se calha lembrar alguma coisa deve ser as boas coisas. Como aquele dia de acho que férias de Páscoa ou parecido em que voltaste para mim primeiro, segundo e terceiro, e assim está explicado que, independentemente de muito se ter dado apenas por dar, nunca se calhar fui tão pura e instantaneamente feliz, nunca me senti tão fantasticamente levitado porque tão querido, tão desejado. Ali, num corredor pre-fabricado, à porta da consulta onde depois entraste para melhor nos consultar-mos.
E a vida é isto. E obrigado por aquele dia, onde sei que não houve qualquer laivo, réstea, traço de mentira entre nós, só uma paixão muito grande, que o tempo acabou por desfazer, sem mais.
Até.
E a vida é isto. E obrigado por aquele dia, onde sei que não houve qualquer laivo, réstea, traço de mentira entre nós, só uma paixão muito grande, que o tempo acabou por desfazer, sem mais.
Até.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Calcanhoto
Já não me lembrava, a Adriana C. é uma brilhante cantante de semi-melancólicas canções de amor. E foi assim.
Claro que entre os 7 anos de Jacob pastor por Raquel da história bíblica e da camoniana poesia e o últimato de meia-hora do Vambora, o muito pedido encore, cinco séculos se passaram. Seis, se contarmos com o século que passou desde que pela primeira vez dei um beijo a uma rapariga. Pressas pos-modernas, antediluvianas estações do ano, ditadas frente ao espelho. "Como se não existisse um amanhã"? Desculpem, esta expressão não consigo tratá-la, faltam-me dados na minha base de...
Lembro Camões:
"Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia.
Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.
Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assi negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida;
Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: – Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!"
E lembro Adriana C., "Metade":
"Eu perco o chão
Eu não acho as palavras
Eu ando tão triste
Eu ando pela sala
Eu perco a hora
Eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim..."
Claro que entre os 7 anos de Jacob pastor por Raquel da história bíblica e da camoniana poesia e o últimato de meia-hora do Vambora, o muito pedido encore, cinco séculos se passaram. Seis, se contarmos com o século que passou desde que pela primeira vez dei um beijo a uma rapariga. Pressas pos-modernas, antediluvianas estações do ano, ditadas frente ao espelho. "Como se não existisse um amanhã"? Desculpem, esta expressão não consigo tratá-la, faltam-me dados na minha base de...
Lembro Camões:
"Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia.
Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.
Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assi negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida;
Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: – Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!"
E lembro Adriana C., "Metade":
"Eu perco o chão
Eu não acho as palavras
Eu ando tão triste
Eu ando pela sala
Eu perco a hora
Eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim..."
domingo, 4 de julho de 2010
Memória
Não devia voltar a
Falar de ti mas sim
Deste mar em estrondo,
Do vento corrido,
Dos que foram quinze
Mil e quinhentos quilómetros.
Hoje há sossego, os
Dois comandos de garagem pendem
Abandonados um de cada lado
Das chaves do carro, como dois
Testículos, o que não deixa de
Ter a sua lógica,
Mudas testemunhas
Afinal tenho quatro.
Não devia voltar a
Falar de ti, mas lá fora
Há este fogo de artifício
Que o define o nome, tão
Pobre a sua mão a expandir-se
Num céu de estrelas,
Fogo de engano.
E este vai ser o meu ano mas,
De que mais posso eu falar?
Falar de ti mas sim
Deste mar em estrondo,
Do vento corrido,
Dos que foram quinze
Mil e quinhentos quilómetros.
Hoje há sossego, os
Dois comandos de garagem pendem
Abandonados um de cada lado
Das chaves do carro, como dois
Testículos, o que não deixa de
Ter a sua lógica,
Mudas testemunhas
Afinal tenho quatro.
Não devia voltar a
Falar de ti, mas lá fora
Há este fogo de artifício
Que o define o nome, tão
Pobre a sua mão a expandir-se
Num céu de estrelas,
Fogo de engano.
E este vai ser o meu ano mas,
De que mais posso eu falar?
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Falto eu.
Ora bem:
Urgente um estrado para o colchão, um sofá barato, cadeiras ou bancos. Um puff barato. Convocar a Cata para 5ª escolher a cama dela. Negociar as coisas dela a vir, peluches, livros, bolas, ela a decidir, acho.
Mais? O bonsai, o Futon, a mesinha de cabeceira pintada com o relógio disney e um - qualquer - candeeiro. O recolhedor de livros. Que livros? Jorge de Sena, JMM, JMFJ, AFA, HMP, algum Saramago, algum Cesariny, alguns novos, alguns espanhóis. Larkin, Virginia Woolf. Gaiman todo. Comics - os meus. Ter cuidado - se dedicatória é porque o dedicaste, não é teu. Que livros grandes? Não sei. Vê-se. CD's - os ao lado da aparelhagem, foram escolhidos premonitoriamente há + de um mês. E os mais recentes. Mais uma dezena de imprescindíveis. Filmes e séries o + possível. Um álbum de fotos à escolha. Três passepartouts três a escolher no momento. Ou quatro. Fotos dos meus pais.
Livros de estudo: Kaplan, Current, Neurology, Washington, Pharmacology.
Louça: pequeno almoço, copos, três pratos ladeiros e de sopa, 2 sertãs, uma panela. Tupperwares. Guardanapos. Toalha para a mesa ou resguardos? Microondas. Algo para pôr a roupa depois de passada a ferro, e algo para antes de. Ferro e tábua de engomar. Cruzetas. Roupa de cama - duas mudas. Roupa p cama da miúda. Almofada. Esfregona. Balde. Vassoura. Panos de pó. Produtos de limpeza. Aspirador. Aparelhagem mini. DVD cheap. Têvê velha por agora?
Roupa p verão/praia, toalhas. O toalhão de banho de sempre. Produtos de barba. Sauvage e Farenheit. Egoiste. O fato de treino embora não goste dele. A chilaba que o Laarbi me ofereceu. Duas camisas de manga comprida, um pullover. Roupa séria just in case? Um pijama para os dias da Cata. O calçado que falta. Os chinelos Pestana. Os crocs.
Dar uma volta mais e ver bem.
O homem-mundo. A caneca de Sargadelos. Os mapas de Ovar onde estão?
E eu? Falto eu.
Urgente um estrado para o colchão, um sofá barato, cadeiras ou bancos. Um puff barato. Convocar a Cata para 5ª escolher a cama dela. Negociar as coisas dela a vir, peluches, livros, bolas, ela a decidir, acho.
Mais? O bonsai, o Futon, a mesinha de cabeceira pintada com o relógio disney e um - qualquer - candeeiro. O recolhedor de livros. Que livros? Jorge de Sena, JMM, JMFJ, AFA, HMP, algum Saramago, algum Cesariny, alguns novos, alguns espanhóis. Larkin, Virginia Woolf. Gaiman todo. Comics - os meus. Ter cuidado - se dedicatória é porque o dedicaste, não é teu. Que livros grandes? Não sei. Vê-se. CD's - os ao lado da aparelhagem, foram escolhidos premonitoriamente há + de um mês. E os mais recentes. Mais uma dezena de imprescindíveis. Filmes e séries o + possível. Um álbum de fotos à escolha. Três passepartouts três a escolher no momento. Ou quatro. Fotos dos meus pais.
Livros de estudo: Kaplan, Current, Neurology, Washington, Pharmacology.
Louça: pequeno almoço, copos, três pratos ladeiros e de sopa, 2 sertãs, uma panela. Tupperwares. Guardanapos. Toalha para a mesa ou resguardos? Microondas. Algo para pôr a roupa depois de passada a ferro, e algo para antes de. Ferro e tábua de engomar. Cruzetas. Roupa de cama - duas mudas. Roupa p cama da miúda. Almofada. Esfregona. Balde. Vassoura. Panos de pó. Produtos de limpeza. Aspirador. Aparelhagem mini. DVD cheap. Têvê velha por agora?
Roupa p verão/praia, toalhas. O toalhão de banho de sempre. Produtos de barba. Sauvage e Farenheit. Egoiste. O fato de treino embora não goste dele. A chilaba que o Laarbi me ofereceu. Duas camisas de manga comprida, um pullover. Roupa séria just in case? Um pijama para os dias da Cata. O calçado que falta. Os chinelos Pestana. Os crocs.
Dar uma volta mais e ver bem.
O homem-mundo. A caneca de Sargadelos. Os mapas de Ovar onde estão?
E eu? Falto eu.
Do silêncio.
As palavras já não me assistem como antigamente. Não me defendem nem me protegem. Assim estou, sem protecção nem defesa. Nem precisarei visto não estar sob qualquer tipo de ataque. E o facto de não estar reside noutro andar, ou na falta do mesmo. Custa-me exactamente andar, por aqui ou por ali, sempre vem a pergunta acusatória "o que fazes aqui, meu? Que estás por aqui a fazer?" Então opto por conduzir a minha cápsula espaço-tempo quilómetros sobre quilómetros, numa, sim é verdade, conversa circular comigo mesmo. Conheço-as demasiado bem, as palavras. Já não me surpreendem. Já nada me surpreende. Minto. Hoje vinha e uma canção emocionou-me de uma forma particular, como já não acontecia há anos. Chega o cinismo vital que me rege a erguer este monstro que é a comoção e ao mesmo tempo um sorriso interno pela mesma, eis uma pequena surpresa. Por rima, da "pequena morte" não vou falar, pois esta que enfrento é um pouco ao lado e maior, embora a(s) dita(s), em doses judiciárias pudessem aplacar o fogo, cortar o mato, dissuadir a catástrofe de assaltar o verão que se aproxima. Mas não, não vai haver "pequenas mortes" que te salvem, amigo. E o cão foi dado, e é uma cadela. Que faço aqui? Não sei, juro que não sei. Sei que não queria estar onde antes ia, e realmente os meus tempos ali eram como raides a um outro mundo, onde um diáfano brilho matinal com alteração de circadianos torcia qualquer sensação de vida real que se pudesse ter. Parecia sempre de manhã e que havia direito a torradas. Nem que chovessem picaretas. E chovem, oh se chovem. E as torradas eram sempre boas. E todos sabemos como ao cair a manteiga fica sempre para cima.
Se o que escrito levo faz algum sentido, que não faz, serve apenas para demonstrar como não posso andar a caminhar "por aí". Caminhar implica um sentido, ou pior ainda, uma direcção. Se hesitas vários olhares logo te questionam sobre a direcção que levas ou que procuras. Suspeitam. Interrogam-se. Estou velho para estas merdas. E porém fui especialmente equipado para o sol e suas cores, para o vento e suas correntes, para o fogo e seus intervalos.
E para o silêncio incandescente, o que hoje não é bem o caso.
Se o que escrito levo faz algum sentido, que não faz, serve apenas para demonstrar como não posso andar a caminhar "por aí". Caminhar implica um sentido, ou pior ainda, uma direcção. Se hesitas vários olhares logo te questionam sobre a direcção que levas ou que procuras. Suspeitam. Interrogam-se. Estou velho para estas merdas. E porém fui especialmente equipado para o sol e suas cores, para o vento e suas correntes, para o fogo e seus intervalos.
E para o silêncio incandescente, o que hoje não é bem o caso.
Foco
Sim, não, talvez, quem sabe. Desanimado, eu? E agora, vida? Porque eu agora vejo - eu vou lá chegar, já percebi. É só ir seguindo a estreita linha. E sem me importar o preço. Os bolsos leves. Mas falta alguma coisa.
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