segunda-feira, 5 de julho de 2010

Calcanhoto

Já não me lembrava, a Adriana C. é uma brilhante cantante de semi-melancólicas canções de amor. E foi assim.
Claro que entre os 7 anos de Jacob pastor por Raquel da história bíblica e da camoniana poesia e o últimato de meia-hora do Vambora, o muito pedido encore, cinco séculos se passaram. Seis, se contarmos com o século que passou desde que pela primeira vez dei um beijo a uma rapariga. Pressas pos-modernas, antediluvianas estações do ano, ditadas frente ao espelho. "Como se não existisse um amanhã"? Desculpem, esta expressão não consigo tratá-la, faltam-me dados na minha base de...
Lembro Camões:

"Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assi negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida;

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: – Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!"

E lembro Adriana C., "Metade":

"Eu perco o chão
Eu não acho as palavras
Eu ando tão triste
Eu ando pela sala
Eu perco a hora
Eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim..."

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