domingo, 4 de julho de 2010

Memória

Não devia voltar a
Falar de ti mas sim
Deste mar em estrondo,
Do vento corrido,
Dos que foram quinze
Mil e quinhentos quilómetros.

Hoje há sossego, os
Dois comandos de garagem pendem
Abandonados um de cada lado
Das chaves do carro, como dois
Testículos, o que não deixa de
Ter a sua lógica,
Mudas testemunhas
Afinal tenho quatro.

Não devia voltar a
Falar de ti, mas lá fora
Há este fogo de artifício
Que o define o nome, tão
Pobre a sua mão a expandir-se
Num céu de estrelas,
Fogo de engano.

E este vai ser o meu ano mas,
De que mais posso eu falar?

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