quarta-feira, 7 de julho de 2010

Zenith de Moscovo

Quando o sol está no zénite, é porque está muito lá em cima. Em 1993 houve muita coisa. Mas houve sobretudo um dia em que tu estavas de férias e eu estava louco por te voltar a ver. Porque trabalhávamos juntos - e que bem trabalhávamos juntos! - e estava exausto, partido, amassado por tu não estares. Era sexta-feira e dia de consulta, à tarde. Dia que mais ninguém gosta para fazer consulta. Sabia que voltavas, que voltarias, que ias voltar, mas para a casa tua, casa longínqua e estranha onde entrei uma única vez. Assim como cheguei a conhecer a outra pessoa que lá morava, a cumprimentá-lo, a desejar-lhe "as melhoras!" por um qualquer merda renal. É assim. Mas era sexta-feira e dinamicamente a consulta seguia o seu curso. E batem à porta. E eras tu, em glória aleluia! Sim, depois magoaste-me muito, demasiado, tão demasiado! Mas hoje se calha lembrar alguma coisa deve ser as boas coisas. Como aquele dia de acho que férias de Páscoa ou parecido em que voltaste para mim primeiro, segundo e terceiro, e assim está explicado que, independentemente de muito se ter dado apenas por dar, nunca se calhar fui tão pura e instantaneamente feliz, nunca me senti tão fantasticamente levitado porque tão querido, tão desejado. Ali, num corredor pre-fabricado, à porta da consulta onde depois entraste para melhor nos consultar-mos.
E a vida é isto. E obrigado por aquele dia, onde sei que não houve qualquer laivo, réstea, traço de mentira entre nós, só uma paixão muito grande, que o tempo acabou por desfazer, sem mais.
Até.

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