domingo, 27 de junho de 2010
Uma história plebeia acontecida no Marquês.
Há momentos na vida que deviam permanecer suspensos e intocáveis, não se admitindo um depois, todas essas coisas que a seguir se desencadeiam e assustam, estragam, degradam o esse momento, tempo mais alto onde estivemos e donde não gostaríamos nunca de ter saído. O antes sendo apenas um prefácio elegíaco e antecipatório.
Assim foi e aconteceu quando e e C. descemos do 79 em Março de 1983 para passear um pouco no Marquês e acabámos por sentarmo-nos num dos bancos de jardim que por ali há. Costas voltadas para um café cujo dono é hoje meu doente e a quem eu também já há alguns anos tirei as ideias de matar a esposa por sonhada infidelidade. Visita semestral, nunca ele teve oportunidade de me oferecer um café que seja, os mais loucos que eu atrapalham-me, se não mansos, e ele pensou em esfaquear quem nunca tão pouco conhecerei. O banco era virado a poente, não me lembro se existia muito sol, não me lembro de demasiada luz.
As mãos. Continua a ser um compromisso especial, a mão que se dá a outra e assim repousa, encontra, indaga. Não vou mentir ao antes escrito e expor como este dia não foi posteriormente cumprido. Como a promessa de misteriosas forças – que todos sabemos existirem – ultrapassarem a barragem universal que nos impede, um e outro e outro dia, de apenas termos esta pequena altura e menos ainda, tão frequente vivemos ajoelhados, não se cumpriu. Ora sucede que de leituras então não muito antigas em revistas femininas de casa, eu por curiosidade tinha adquirido bom saber sobre as linhas da palma da mão. Conseguia dar-lhes nomes e não apenas, algum relevo tinha também direito a designação outra, bem como acidentes, cortes, cruzamentos, depressões. A partir daqui podia-se construir toda uma vida, as suas linhas eram chamadas, nada como pegar numa mão e aplicar a teoria numa prática que era algo de diferente, o tocar a coisa amada, electricidade. Diz-se desta como estática, eu discordo. Já não me lembro das aulas da física o porquê do nome, mas eu sei que as cargas que se transmitem por pequenos e leves toques, por ex. de dedos, podem correr mundo, ou chegar ainda mais longe, ao mais extremo oposto do corpo tocado ou à sua margem mais íntima.
A leve carga foi sendo transmitida, e o primeiro de outros contos foi contado e corrigido, sendo que o enredo já o perdi, bem como o saber dessas tais linhas, era Março e o meu aniversário estava por acontecer. Despedida C. em paragem de autocarro que descia a Constituição - o 20? -, desci eu Camões a cumprimentar todo e cada um dos traseuntes e oferecendo-lhes de uma bola de berlim que ia comendo, então a minha confeitaria preferida. Recebi dias depois bem desenhado lenço como prenda de aniversário. Mas, cá está, fujo ao que prometi, já foi o lenço depois, não conta, não interessa, embora não o tenha perdido e ache que ainda sobrevive algures por pouco uso, mais importa o ter eu perdido a certeza da data – quinze? – e menos ainda saber distinguir entre a linha da vida e a linha do coração ou do amor, isto sim não um momento mas um resumo de estes anos todos que àquela tarde no Marquês se sucederam.
Assim foi e aconteceu quando e e C. descemos do 79 em Março de 1983 para passear um pouco no Marquês e acabámos por sentarmo-nos num dos bancos de jardim que por ali há. Costas voltadas para um café cujo dono é hoje meu doente e a quem eu também já há alguns anos tirei as ideias de matar a esposa por sonhada infidelidade. Visita semestral, nunca ele teve oportunidade de me oferecer um café que seja, os mais loucos que eu atrapalham-me, se não mansos, e ele pensou em esfaquear quem nunca tão pouco conhecerei. O banco era virado a poente, não me lembro se existia muito sol, não me lembro de demasiada luz.
As mãos. Continua a ser um compromisso especial, a mão que se dá a outra e assim repousa, encontra, indaga. Não vou mentir ao antes escrito e expor como este dia não foi posteriormente cumprido. Como a promessa de misteriosas forças – que todos sabemos existirem – ultrapassarem a barragem universal que nos impede, um e outro e outro dia, de apenas termos esta pequena altura e menos ainda, tão frequente vivemos ajoelhados, não se cumpriu. Ora sucede que de leituras então não muito antigas em revistas femininas de casa, eu por curiosidade tinha adquirido bom saber sobre as linhas da palma da mão. Conseguia dar-lhes nomes e não apenas, algum relevo tinha também direito a designação outra, bem como acidentes, cortes, cruzamentos, depressões. A partir daqui podia-se construir toda uma vida, as suas linhas eram chamadas, nada como pegar numa mão e aplicar a teoria numa prática que era algo de diferente, o tocar a coisa amada, electricidade. Diz-se desta como estática, eu discordo. Já não me lembro das aulas da física o porquê do nome, mas eu sei que as cargas que se transmitem por pequenos e leves toques, por ex. de dedos, podem correr mundo, ou chegar ainda mais longe, ao mais extremo oposto do corpo tocado ou à sua margem mais íntima.
A leve carga foi sendo transmitida, e o primeiro de outros contos foi contado e corrigido, sendo que o enredo já o perdi, bem como o saber dessas tais linhas, era Março e o meu aniversário estava por acontecer. Despedida C. em paragem de autocarro que descia a Constituição - o 20? -, desci eu Camões a cumprimentar todo e cada um dos traseuntes e oferecendo-lhes de uma bola de berlim que ia comendo, então a minha confeitaria preferida. Recebi dias depois bem desenhado lenço como prenda de aniversário. Mas, cá está, fujo ao que prometi, já foi o lenço depois, não conta, não interessa, embora não o tenha perdido e ache que ainda sobrevive algures por pouco uso, mais importa o ter eu perdido a certeza da data – quinze? – e menos ainda saber distinguir entre a linha da vida e a linha do coração ou do amor, isto sim não um momento mas um resumo de estes anos todos que àquela tarde no Marquês se sucederam.
Primeira abordagem dos espaços exteriores do Foco.
Por aqui namorei quem acabou por ser perdida, por aqui andei a aprender o verbo, muito depois viriam os complementos. Estranho este espaço, os pequenos declives tão infrequentes nesta cidade. Assim se perde o amor, um deslizar de terras inconsequente, nem duas linhas nos jornais e porém. Outras vezes muro subitamente erguido e o choque frontal. Perde-se igual. Se para tudo há termo e há medida, eu peço, melhor, invoco, para essa tua ferida o fecho e a boa cerzura e para mim nada, vês, nem me mexo... sempre à espera do último primeiro beijo.
Ensaio
O amar não aparece.
Sombra de uma sombra
Que é a sombra destes muitos
Anos, amar não
Esquece mas não vem.
E é tempo de uma maré alta e
O mar que não desce, e este
Fio de água que me alimenta
Não chega e já é tarde e
Nunca é a última curva do
Caminho, e porque não
Queremos facilitar a rima
Aqui se despede aquele
Que muito te estima.
Sombra de uma sombra
Que é a sombra destes muitos
Anos, amar não
Esquece mas não vem.
E é tempo de uma maré alta e
O mar que não desce, e este
Fio de água que me alimenta
Não chega e já é tarde e
Nunca é a última curva do
Caminho, e porque não
Queremos facilitar a rima
Aqui se despede aquele
Que muito te estima.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Doca Seca
Os anjos já não voam,
Deitados esperam.
E a ausência que geram
Ao não se quererem
Levantar, cria um buraco mas
Não no espaço-tempo, sim num
Meu dente que morder
Devia em suaves rendas,
Terrenos que me eram de
Vidos e que demasiado alto
Me foram erguidos.
Deitados esperam.
E a ausência que geram
Ao não se quererem
Levantar, cria um buraco mas
Não no espaço-tempo, sim num
Meu dente que morder
Devia em suaves rendas,
Terrenos que me eram de
Vidos e que demasiado alto
Me foram erguidos.
domingo, 20 de junho de 2010
Os caracóis que não são para comer.
Os caracóis, lentos
mensageiros.
De um tempo mais
feliz onde havia
festa e uma pos
sível solução.
O reflexo nos
meus e nos teus
olhos anuncia as
futuras cataratas,
o glaucoma que é
apenas um excesso
de tensão, hoje
não terão qual
quer sentido os
caracóis, os teus,
porque em mim já
nada o tem, tudo
o que é meu redu
zido a um ponto
e mesmo este
ainda por
marcar.
mensageiros.
De um tempo mais
feliz onde havia
festa e uma pos
sível solução.
O reflexo nos
meus e nos teus
olhos anuncia as
futuras cataratas,
o glaucoma que é
apenas um excesso
de tensão, hoje
não terão qual
quer sentido os
caracóis, os teus,
porque em mim já
nada o tem, tudo
o que é meu redu
zido a um ponto
e mesmo este
ainda por
marcar.
Dos caracóis.
Pode parecer estranho mas começo por dizer que já comi caracóis. Vejo-me ao espelho e vejo a cara de um velho. Ainda este carnaval o meu amigo Luis Correia, que fez comigo um programa de rádio durante dois anos não me reconheceu. A menina dos caracóis. Então, está tudo explicado!
Mas não está.
Mas não está.
sábado, 19 de junho de 2010
Trabalho e fuga a duas vozes
Eu, tu, tu e eu trabalhamos bem mais horas do que aquelas que nos eram devidas.
Imaginemos que não.
Tu sentas-te, eu preparo as bebidas.
Vai começar. O quê? Não sei ainda, sei porém que não será trabalho.
Eu, tu, tu e eu chegamos aquele sítio esgotados. É possível que nos procurem nas melhores livrarias ou no quiosque da esquina, mas a resposta repete-se: esgotados!
Nas traseiras do edifício o rapaz com a pá e a vassoura varre os nossos restos e procura restaurar os bocados.
Eu, tu, tu e eu...
Imaginemos que não.
Tu sentas-te, eu preparo as bebidas.
Vai começar. O quê? Não sei ainda, sei porém que não será trabalho.
Eu, tu, tu e eu chegamos aquele sítio esgotados. É possível que nos procurem nas melhores livrarias ou no quiosque da esquina, mas a resposta repete-se: esgotados!
Nas traseiras do edifício o rapaz com a pá e a vassoura varre os nossos restos e procura restaurar os bocados.
Eu, tu, tu e eu...
domingo, 13 de junho de 2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Para memória futura
Gosto daqueles que vivem
Sem intervalos,
Que não negoceiam,
Dos que levam o
Que é recusado contra
A parede e perdendo
Ainda apostam e na
Queda ganham,
Gosto.
Gosto dos que pela
Vida se extendem
Uniformes, levantados,
Como farol que
Repete e não se engana,
Gosto. Dos que não
Aguentam e ficam ou vão
Embora mas bem decidem,
O mundo é mais espesso
Porque persistem e estão,
Gosto. Daqueles que
Mesmo arruinados mais
Altos estão, porque têm
Como dez andares, e cada um
Foi aquela volta completa
Que ainda está por
Contar, gosto.
Firmes, exactos,
Completos. Sem buracos e
Sem omissões. Secretos.
Enormes.
Gosto. Prefiro.
Admiro.
Sem intervalos,
Que não negoceiam,
Dos que levam o
Que é recusado contra
A parede e perdendo
Ainda apostam e na
Queda ganham,
Gosto.
Gosto dos que pela
Vida se extendem
Uniformes, levantados,
Como farol que
Repete e não se engana,
Gosto. Dos que não
Aguentam e ficam ou vão
Embora mas bem decidem,
O mundo é mais espesso
Porque persistem e estão,
Gosto. Daqueles que
Mesmo arruinados mais
Altos estão, porque têm
Como dez andares, e cada um
Foi aquela volta completa
Que ainda está por
Contar, gosto.
Firmes, exactos,
Completos. Sem buracos e
Sem omissões. Secretos.
Enormes.
Gosto. Prefiro.
Admiro.
A solução para este enigma
Se calhar, meu amor, acabei de encontrar a solução para tudo isto. Esse que este fim-de-semana provavelmente te vai abraçar, nele queria entrar e tomar a sua forma, para que por intervalo de tempo na sua voz se formasse o meu sopro e que o seu gesto tomasse o meu sentido , e que a sua acção tivesse a minha intenção. No meio das palavras ditas, notarias, eu sei, alguma diferença. E talvez a luz, por escuro que o quarto seja, fosse, é. Escura é sempre a saída do labirinto, escasso o fio que nos liga a Grécia. Animal pendente de escolha, de cornos não decorado apesar do dedicado poema de Jorge de Sena, há esta esquina onde estou à tua espera. Virás então, improvável, fervendo ou a tremer de frio, não sei, como saber, e dirás primeiro, que "afinal eras tu!", e segundo, que animal sou eu.
domingo, 6 de junho de 2010
sábado, 5 de junho de 2010
And them...
Sex is great fun, though. Great fun! Lembro-me de uma miúda que a cada orgasmo ficava com rosáceas pelo corpo todo, como se uma alergia, tal a descarga, tal o acontecido. Não me lembro de maior reforço positivo, não me lembro de maior espectáculo. Talvez o pôr do sol e um fino em Matosinhos ou no Furadouro, e algo menos cansativo, mas estamos a falar de coisas diferentes. Ou sair da casa de alguém e cheirar a manhã e perceber que sabemos cheirar...
Sem cama atribuida.
Doente do sexo masculino, 46 anos, casado, natural de Ovar, residente em Matosinhos, médico.
Mão dominante: esquerda mas escreve com direita.
Rankin prévio: 0
Centro de Saúde: Senhora da Hora.
Não internado na Unidade de AVC em 04-06-2010, por não preencher critérios para tal.
Antecedentes pessoais relevantes:
Nega hipertensão, diabetes, dislipidemia, sem hx de doença coronária. Sem enxaquecas. Cefaleias de tensão.
Fumador ocasional; consumo de álcool: ocasional.
Outras patologias:parotidite em criança; sem consequências testiculares. Varicela e sarampo quando jovem adulto, o que quer dizer que já foi há algum tempo.
Cirurgias prévias: cirurgia a tumor vesical em 2004. Fez posteriormente quimioterapia Ivesical. Controlo errático. Cirurgia de quisto pilonidal sacrococcígeo há 25 anos. Documentação nesse procedimento de alteração curiosa de curvatura do sacro.
Alergias medicamentosas: não. Alérgico ao leite "Pensal" em criança. Sem materiais heterólogos.
Medicação habitual: não.
Antecedentes familiares relevantes:
Mãe: viva, 72 anos. Medicada por patologia psiquiátrica minor - obsessão, compulsão sobreposta a ansiedade crónica.
Pai: vivo, 83 anos. Ex-fumador. Hipertenso, possível doença coronária, doença pulmonar crónica, prostatismo.
Irmãos: não. Tem primos, no geral antipáticos.
Sem hx familiar de doença neurológica nomeadamente DVC em idade jovem, atraso mental, epilepsia, demência.
História da doença actual:
O doente ontem deitou-se bem tarde e dormiu para variar pouco. Hoje levantou-se apreensivo e posteriormente foi ficando bem disposto. Pela tarde dentro discutiu o sexo (de quem? não esclarece) o que o perturbou de sobremaneira. Agora não parece dizer coisa com coisa. Deu entrada neste Hospital pelas 8h20m (registo electrónico) - e predominante mas não exclusivamente tem estado a trabalhar.
Não realizou nenhum estudo.
Na não admissão à Unidade de AVC o doente não refere queixas. Aqui e ali refer: "e se mudássemos de assunto, hã?".
Ao exame objectivo: PA: 126/71 mm Hg FC: 84 ritm T aur: 36,6 Sat O2: 98%
Peso: 74,5kg Altura: 1,72m
Pele e mucosas coradas e hidratadas; sem TVJ a 30º; sem sopros carotídeos; tiroide impalpável; sem adenomegalias cervicais; AC: S1 e S2 normal, sem sopros. AP: sem ruidos adventícios. Abdómen mole e depressível, indolor à palpação profunda, sem organomegalias; sem edemas periféricos.
Ao exame neurológico: consciente, colaborante, orientado. Discurso fluente. Sem alterações campimétricas. Pupilas isocóricas, médias, fotoreactivas. Sem assimetria da fenda palpebral. Movimentos oculares conservados em todas as direcções. Sem assimetria facial. Sem défices motores pontuáveis. Sem disartria. RCP flexores. Nega assimetria nas sensibilidades. Nota: mantem algum discurso errático.
NIHSS: 0.
Recusa ter alta e voltar ao domicílio. Aliás perante esta palavra esboça um "riso sardónico", como se diz na banda desenhada... e usa um que outro palavrão.
Este sim, é um caso complicado.
Mão dominante: esquerda mas escreve com direita.
Rankin prévio: 0
Centro de Saúde: Senhora da Hora.
Não internado na Unidade de AVC em 04-06-2010, por não preencher critérios para tal.
Antecedentes pessoais relevantes:
Nega hipertensão, diabetes, dislipidemia, sem hx de doença coronária. Sem enxaquecas. Cefaleias de tensão.
Fumador ocasional; consumo de álcool: ocasional.
Outras patologias:parotidite em criança; sem consequências testiculares. Varicela e sarampo quando jovem adulto, o que quer dizer que já foi há algum tempo.
Cirurgias prévias: cirurgia a tumor vesical em 2004. Fez posteriormente quimioterapia Ivesical. Controlo errático. Cirurgia de quisto pilonidal sacrococcígeo há 25 anos. Documentação nesse procedimento de alteração curiosa de curvatura do sacro.
Alergias medicamentosas: não. Alérgico ao leite "Pensal" em criança. Sem materiais heterólogos.
Medicação habitual: não.
Antecedentes familiares relevantes:
Mãe: viva, 72 anos. Medicada por patologia psiquiátrica minor - obsessão, compulsão sobreposta a ansiedade crónica.
Pai: vivo, 83 anos. Ex-fumador. Hipertenso, possível doença coronária, doença pulmonar crónica, prostatismo.
Irmãos: não. Tem primos, no geral antipáticos.
Sem hx familiar de doença neurológica nomeadamente DVC em idade jovem, atraso mental, epilepsia, demência.
História da doença actual:
O doente ontem deitou-se bem tarde e dormiu para variar pouco. Hoje levantou-se apreensivo e posteriormente foi ficando bem disposto. Pela tarde dentro discutiu o sexo (de quem? não esclarece) o que o perturbou de sobremaneira. Agora não parece dizer coisa com coisa. Deu entrada neste Hospital pelas 8h20m (registo electrónico) - e predominante mas não exclusivamente tem estado a trabalhar.
Não realizou nenhum estudo.
Na não admissão à Unidade de AVC o doente não refere queixas. Aqui e ali refer: "e se mudássemos de assunto, hã?".
Ao exame objectivo: PA: 126/71 mm Hg FC: 84 ritm T aur: 36,6 Sat O2: 98%
Peso: 74,5kg Altura: 1,72m
Pele e mucosas coradas e hidratadas; sem TVJ a 30º; sem sopros carotídeos; tiroide impalpável; sem adenomegalias cervicais; AC: S1 e S2 normal, sem sopros. AP: sem ruidos adventícios. Abdómen mole e depressível, indolor à palpação profunda, sem organomegalias; sem edemas periféricos.
Ao exame neurológico: consciente, colaborante, orientado. Discurso fluente. Sem alterações campimétricas. Pupilas isocóricas, médias, fotoreactivas. Sem assimetria da fenda palpebral. Movimentos oculares conservados em todas as direcções. Sem assimetria facial. Sem défices motores pontuáveis. Sem disartria. RCP flexores. Nega assimetria nas sensibilidades. Nota: mantem algum discurso errático.
NIHSS: 0.
Recusa ter alta e voltar ao domicílio. Aliás perante esta palavra esboça um "riso sardónico", como se diz na banda desenhada... e usa um que outro palavrão.
Este sim, é um caso complicado.
Cama 3
Doente do sexo masculino, 61 anos, viúvo, natural da Trofa, residente na Maia com filha, reformado, era encarregado na construção civil, 4º ano escolaridade.
Mão dominante: direita.
Rankin prévio: 0
Centro de Saúde: Nogueira da Maia.
Internado na Unidade de AVC em 04-06-2010, proveniente do SU (Sala Laranja), por AVC isquémico.
Antecedentes pessoais relevantes:
Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus tipo 2 medicados, Dislipidemia, ev hx de doença coronária.
EX- fumador, deixou há 5 anos; consumo de álcool: moderado, as refeições.
Nega doenças infecciosas (hepatite, meningite, tuberculose, sífilis, SIDA) e traumáticas (TCE ou TVM).
Outras patologias:nega.
Cirurgias prévias: cirurgia a joelho direito há décadas.
Alergias medicamentosas: não. Ev. material heterólogo no joelho.
Medicação habitual:
Lisipril 20 mg; Amlodipina 5 mg; Aspirina 100 mg; Insulina Insulatard 28+22, 10U Actrapid ao almoço. Sinvastatina; Tamsulosina.
Antecedentes familiares relevantes:
Mãe: suicidou-se na 7ª década.
Pai:faleceu por AVC na 7ª década.
Irmãos: 3 falecidos, 1 por Enfarte agudo do miocárdio na 5ª década, 1 por complicações de Diabetes, 1 por cirrose hepática alcoólica. Dos 5 vivos
Sem hx familiar de doença neurológica nomeadamente DVC em idade jovem, atraso mental, epilepsia, demência.
História da doença actual:
O doente ontem deitou-se bem, hoje pelas 8h30m algo depois de acordar notou hemihipostesia esquerda.
Vinda ao SU onde entrou pelas 11h34m.
Estava hemodinamicamente hipertenso (PA: 170/83mmHg; P radial:67 ppm) e apirético. Ao exame neurológico apresentava disartria, hemihipostesia esquerda, hemiparesia FM4, não pontuada. NIHSS - 2
Realizou o seguinte estudo:
Analítico (hemograma, bioquímica e estudo da coagulação): microcitose, hiperglicemia.
ECG: ritmo sinusal.
TC cerebral: "sequela de enfarte antigo em localização cortico-subcortical occipito-temporal dta."
Foi transferido para a Unidade de AVC para prosseguir estudo etiológico e tratamento de AVC isquémico da circulação anterior.
Na admissão à Unidade de AVC o doente não trefere queixas.
Ao exame objectivo: PA: 166/91 mm Hg FC: 64 ritm T aur: 36,4 Sat O2: 98%
Peso: 94kg Altura: 1,68m
Pele e mucosas coradas e hidratadas; sem TVJ a 30º; sem sopros carotídeos; tiroide impalpável; sem adenomegalias cervicais; AC: S1 e S2 normal, sem sopros. AP: sem ruidos adventícios. Abdómen mole e depressível, indolor à palpação profunda, sem organomegalias; sem edemas periféricos.
Ao exame neurológico: consciente, colaborante, orientado. Discurso fluente. Sem alterações campimétricas. Pupilas isocóricas, médias, fotoreactivas. Sem assimetria da fenda palpebral. Movimentos oculares conservados em todas as direcções. Sem assimetria facial. Sem défices motores pontuáveis. Disartria mt ligeira. RCP flexores. Nega assimetria nas sensibilidades.
NIHSS: 1
Mão dominante: direita.
Rankin prévio: 0
Centro de Saúde: Nogueira da Maia.
Internado na Unidade de AVC em 04-06-2010, proveniente do SU (Sala Laranja), por AVC isquémico.
Antecedentes pessoais relevantes:
Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus tipo 2 medicados, Dislipidemia, ev hx de doença coronária.
EX- fumador, deixou há 5 anos; consumo de álcool: moderado, as refeições.
Nega doenças infecciosas (hepatite, meningite, tuberculose, sífilis, SIDA) e traumáticas (TCE ou TVM).
Outras patologias:nega.
Cirurgias prévias: cirurgia a joelho direito há décadas.
Alergias medicamentosas: não. Ev. material heterólogo no joelho.
Medicação habitual:
Lisipril 20 mg; Amlodipina 5 mg; Aspirina 100 mg; Insulina Insulatard 28+22, 10U Actrapid ao almoço. Sinvastatina; Tamsulosina.
Antecedentes familiares relevantes:
Mãe: suicidou-se na 7ª década.
Pai:faleceu por AVC na 7ª década.
Irmãos: 3 falecidos, 1 por Enfarte agudo do miocárdio na 5ª década, 1 por complicações de Diabetes, 1 por cirrose hepática alcoólica. Dos 5 vivos
Sem hx familiar de doença neurológica nomeadamente DVC em idade jovem, atraso mental, epilepsia, demência.
História da doença actual:
O doente ontem deitou-se bem, hoje pelas 8h30m algo depois de acordar notou hemihipostesia esquerda.
Vinda ao SU onde entrou pelas 11h34m.
Estava hemodinamicamente hipertenso (PA: 170/83mmHg; P radial:67 ppm) e apirético. Ao exame neurológico apresentava disartria, hemihipostesia esquerda, hemiparesia FM4, não pontuada. NIHSS - 2
Realizou o seguinte estudo:
Analítico (hemograma, bioquímica e estudo da coagulação): microcitose, hiperglicemia.
ECG: ritmo sinusal.
TC cerebral: "sequela de enfarte antigo em localização cortico-subcortical occipito-temporal dta."
Foi transferido para a Unidade de AVC para prosseguir estudo etiológico e tratamento de AVC isquémico da circulação anterior.
Na admissão à Unidade de AVC o doente não trefere queixas.
Ao exame objectivo: PA: 166/91 mm Hg FC: 64 ritm T aur: 36,4 Sat O2: 98%
Peso: 94kg Altura: 1,68m
Pele e mucosas coradas e hidratadas; sem TVJ a 30º; sem sopros carotídeos; tiroide impalpável; sem adenomegalias cervicais; AC: S1 e S2 normal, sem sopros. AP: sem ruidos adventícios. Abdómen mole e depressível, indolor à palpação profunda, sem organomegalias; sem edemas periféricos.
Ao exame neurológico: consciente, colaborante, orientado. Discurso fluente. Sem alterações campimétricas. Pupilas isocóricas, médias, fotoreactivas. Sem assimetria da fenda palpebral. Movimentos oculares conservados em todas as direcções. Sem assimetria facial. Sem défices motores pontuáveis. Disartria mt ligeira. RCP flexores. Nega assimetria nas sensibilidades.
NIHSS: 1
Cama seis.
Doente do sexo masculino, 79 anos, casado, natural de Gondomar e residente em Ermesinde, técnico de vendas reformado por idade.
Escolaridade: 4º classe
Mão dominante: direita.
Rankin prévio: 0/2.
Centro de Saúde: Ermesinde.
Internado na Unidade de AVC em 04-06-2010, proveniente do SU (Sala Laranja), por AVC isquémico.
Antecedentes pessoais relevantes:
Hipertensão Arterial como diagnóstico antigo, medicado. Diabetes Mellitus de diagnóstico recente, só dieta. Dislipidemia - hipetrigliceridemia?
História recente de arritmia - fibrilhação auricular, documentada em ECG e Ecocardiograma - antiagregado e medicado com Concor.
Dois episódios recentes de tonturas e pre-sincope, o último a 31/05, com vinda ao SU deste hospital.
Terá tb patologia digestiva - difícil de esclarecer qual - e diagnóstico recente de anemia.
O ecocardiograma (26/05/010): AE 46 mm; SIV 12 PP 9; boa FSVE, PSAP 48 mmHg (doente referido como estando em FA).
EX- fumador; consumo de álcool: moderado.
Nega doenças infecciosas (hepatite, meningite, tuberculose, sífilis, SIDA) e traumáticas (TCE ou TVM).
Outras patologias: não referidas. A ajuizar de Alert de 31/05 - apneia de sono?
Cirurgias prévias: não referidas. Prostatectomizado?
Alergias medicamentosas: não conhecidas.
Medicação habitual:
Concor IC; Olsar Plus; Supralip; Aspirina. +? Em Alert de 31/05 referência a Furosemida, Motilium, Omeprazole e Lexotan.
Antecedentes familiares relevantes:
Mãe: falecida por complicações de Diabetes na 7ª década.
Pai: falecido aos 54 anos durante cirurgia gástrica.
Irmãos: 2 meios-irmãos falecidos, 1 deles com Diabetes. 3 irmãs vivas com Hipertensão e Diabetes.
Sem história familiar de doença neurológica nomeadamente DVC em idade jovem, atraso mental, epilepsia, demência.
História da doença actual:
O doente teve instalação súbita de hemiplegia direita e afasia pelas 12h30m enquanto almoçava num restaurante.
Foi trazido ao SU deste hospital onde deu entrada às 12h59m, com bradicardia (PA: 118/75 mmHg; P radial:37 ppm, ritmico) e apirético. Ao exame neurológico apresentava afasia global, hemiplegia direita com hipostesia homolateral, vigil. NIHSS - 23. Foi medicado com 1,5 mg atropina ev.
Realizou o seguinte estudo:
Analítico (hemograma, bioquímica e estudo da coagulação): Hb 11,2 Creat 15,7 Ur 0,85 Plaq 172000.
ECG: bradicardia sinusal com BAV 1º grau.
TC cerebral: Area hipodensa fronto-insular esquerda sem significativo efeito de massa sobre as estruturas vizinhas a traduzir lesão isquémica em evolução".
Iniciou tratamento trombolítico as 13h50m. No fim da tropmbólise pontua 18 (fecha e abre olhos a comando; levanta MS ñ sustentada/ e coxa dir; cumpre algumas ordens).
Por quadro de aparente estridor fez Adrenalina e foi obs. por ORL que não encontrou alterações. Posteriormente a clínica evoluiu para EAP pelo que foi medicado com Furosemida, perf DNI e Boussignac. Teve boa resposta mas evoluiu para acidose respiratória pelo que foi-lhe colocado BIPAP (17/8) com boa tolerância.
Foi transferido para a Unidade de AVC para prosseguir estudo etiológico e tratamento de AVC isquémico da circulação anterior de provavel etiologia cardioembólica.
Na admissão à Unidade de AVC o doente não cumpre ordens, estando razoavelmente adaptado ao BIPAP.
Ao exame objectivo: PA: 116/61 mm Hg FC: 57 arr (arritmia sinusal) T aur: 36,4 Sat O2:98%
Peso: 80kg Altura: 1,75m
Pele e mucosas coradas e hidratadas; sem TVJ a 30º; sem sopros carotídeos; tiroide impalpável; sem adenomegalias cervicais; AC: S1 e S2 normal, sopro sistólico BEE AP: apagamento base direita. Respiração abdominal. Abdómen mole e depressível, indolor à palpação profunda, sem organomegalias; sem edemas periféricos.
Ao exame neurológico: consciente, abre olhos à chamada, olhos na linha média. Não cumpre ordens, aperta a mão esquerda por reflexo. Afasia global. Hemianópsia homónima direita. Paresia facial central direita. Pupilas isocóricas, midriáticas bilateralmente (doente atropinizado.) Sem assimetria da fenda palpebral. Hemiparesia direita FM1 com hipostesia homolateral. Babinsky direito. Sem meningismo.
NIHSS: (122122303001320) = 22.
Faz-se GSA (9L): pH 7,385 pCO2 38,6 pO2 82 HCO3 22,6 Boa adaptação a BIPAP.
Faz-se desmame progressivo de nitratos.
Escolaridade: 4º classe
Mão dominante: direita.
Rankin prévio: 0/2.
Centro de Saúde: Ermesinde.
Internado na Unidade de AVC em 04-06-2010, proveniente do SU (Sala Laranja), por AVC isquémico.
Antecedentes pessoais relevantes:
Hipertensão Arterial como diagnóstico antigo, medicado. Diabetes Mellitus de diagnóstico recente, só dieta. Dislipidemia - hipetrigliceridemia?
História recente de arritmia - fibrilhação auricular, documentada em ECG e Ecocardiograma - antiagregado e medicado com Concor.
Dois episódios recentes de tonturas e pre-sincope, o último a 31/05, com vinda ao SU deste hospital.
Terá tb patologia digestiva - difícil de esclarecer qual - e diagnóstico recente de anemia.
O ecocardiograma (26/05/010): AE 46 mm; SIV 12 PP 9; boa FSVE, PSAP 48 mmHg (doente referido como estando em FA).
EX- fumador; consumo de álcool: moderado.
Nega doenças infecciosas (hepatite, meningite, tuberculose, sífilis, SIDA) e traumáticas (TCE ou TVM).
Outras patologias: não referidas. A ajuizar de Alert de 31/05 - apneia de sono?
Cirurgias prévias: não referidas. Prostatectomizado?
Alergias medicamentosas: não conhecidas.
Medicação habitual:
Concor IC; Olsar Plus; Supralip; Aspirina. +? Em Alert de 31/05 referência a Furosemida, Motilium, Omeprazole e Lexotan.
Antecedentes familiares relevantes:
Mãe: falecida por complicações de Diabetes na 7ª década.
Pai: falecido aos 54 anos durante cirurgia gástrica.
Irmãos: 2 meios-irmãos falecidos, 1 deles com Diabetes. 3 irmãs vivas com Hipertensão e Diabetes.
Sem história familiar de doença neurológica nomeadamente DVC em idade jovem, atraso mental, epilepsia, demência.
História da doença actual:
O doente teve instalação súbita de hemiplegia direita e afasia pelas 12h30m enquanto almoçava num restaurante.
Foi trazido ao SU deste hospital onde deu entrada às 12h59m, com bradicardia (PA: 118/75 mmHg; P radial:37 ppm, ritmico) e apirético. Ao exame neurológico apresentava afasia global, hemiplegia direita com hipostesia homolateral, vigil. NIHSS - 23. Foi medicado com 1,5 mg atropina ev.
Realizou o seguinte estudo:
Analítico (hemograma, bioquímica e estudo da coagulação): Hb 11,2 Creat 15,7 Ur 0,85 Plaq 172000.
ECG: bradicardia sinusal com BAV 1º grau.
TC cerebral: Area hipodensa fronto-insular esquerda sem significativo efeito de massa sobre as estruturas vizinhas a traduzir lesão isquémica em evolução".
Iniciou tratamento trombolítico as 13h50m. No fim da tropmbólise pontua 18 (fecha e abre olhos a comando; levanta MS ñ sustentada/ e coxa dir; cumpre algumas ordens).
Por quadro de aparente estridor fez Adrenalina e foi obs. por ORL que não encontrou alterações. Posteriormente a clínica evoluiu para EAP pelo que foi medicado com Furosemida, perf DNI e Boussignac. Teve boa resposta mas evoluiu para acidose respiratória pelo que foi-lhe colocado BIPAP (17/8) com boa tolerância.
Foi transferido para a Unidade de AVC para prosseguir estudo etiológico e tratamento de AVC isquémico da circulação anterior de provavel etiologia cardioembólica.
Na admissão à Unidade de AVC o doente não cumpre ordens, estando razoavelmente adaptado ao BIPAP.
Ao exame objectivo: PA: 116/61 mm Hg FC: 57 arr (arritmia sinusal) T aur: 36,4 Sat O2:98%
Peso: 80kg Altura: 1,75m
Pele e mucosas coradas e hidratadas; sem TVJ a 30º; sem sopros carotídeos; tiroide impalpável; sem adenomegalias cervicais; AC: S1 e S2 normal, sopro sistólico BEE AP: apagamento base direita. Respiração abdominal. Abdómen mole e depressível, indolor à palpação profunda, sem organomegalias; sem edemas periféricos.
Ao exame neurológico: consciente, abre olhos à chamada, olhos na linha média. Não cumpre ordens, aperta a mão esquerda por reflexo. Afasia global. Hemianópsia homónima direita. Paresia facial central direita. Pupilas isocóricas, midriáticas bilateralmente (doente atropinizado.) Sem assimetria da fenda palpebral. Hemiparesia direita FM1 com hipostesia homolateral. Babinsky direito. Sem meningismo.
NIHSS: (122122303001320) = 22.
Faz-se GSA (9L): pH 7,385 pCO2 38,6 pO2 82 HCO3 22,6 Boa adaptação a BIPAP.
Faz-se desmame progressivo de nitratos.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
So... sex.
Bom. Falemos então de sexo.
É nada. É tudo. 2ªs e 4ªs. 3ªs e 5ªs. Descansemos uns dias que já não dou para mais.
Sexo é nada. É agua, é um cachorro quente, uma francesinha, vamos. O que pode ser tudo é o peri-sexo. O sexo permite coisas antes, durante e sobretudo depois, que podem marcar um tempo muito amplo, para nos deixarmos daquela coisa "da vida". Se, e repito - se as defesas estiverem mesmo em baixo e mesmo assim tudo correr muito bem, os gestos a seu tempo, os levantares, os sentares e os olhares também, já estamos a falar de muito mais do que sexo. Que sem sexo não estaria ali.
E porque evito aqui cuidadosamente a palavra "amor"?
French say it better: "faire l'amour". Com o "l'" a explicar o único da coisa. Porque logo a seguir o feito é desfeito, uma e cem vezes. Até que um dia não. E se durar dez anos, no fim é fodido, é certo. Mas entretanto,uma benção. Ou não, se a jogada fôr em declive, um lento e pavoroso desmoronar, dia a dia. Só vendo, sempre.
Nas idades mais avançadas, o sexo ganha diferentes cores. Porquê? Porque em princípio é difícil a não repetição. Porque sexo é (também) um jogo. E a consciência do jogo limita o voo, sempre. E então podemos ou relativizar e avançar directamente para o centro do court de ténis e jogar sem mais instrução, ou, pelo contrário, ir atrasando a partida para um fim de época ainda por vir, e vamos falando. O risco é a época nunca chegar realmente ao fim ou a essa final tão desejada, por nunca por nunca os atletas se sentirem preparados para o embate. Porque o sexo também é embate, competição, medida, corrida, meta. E mate. Deseja-se que sem "cheque" pelo meio.
E o "amor"? É uma hipótese. E correm muitas teorias sobre.
É nada. É tudo. 2ªs e 4ªs. 3ªs e 5ªs. Descansemos uns dias que já não dou para mais.
Sexo é nada. É agua, é um cachorro quente, uma francesinha, vamos. O que pode ser tudo é o peri-sexo. O sexo permite coisas antes, durante e sobretudo depois, que podem marcar um tempo muito amplo, para nos deixarmos daquela coisa "da vida". Se, e repito - se as defesas estiverem mesmo em baixo e mesmo assim tudo correr muito bem, os gestos a seu tempo, os levantares, os sentares e os olhares também, já estamos a falar de muito mais do que sexo. Que sem sexo não estaria ali.
E porque evito aqui cuidadosamente a palavra "amor"?
French say it better: "faire l'amour". Com o "l'" a explicar o único da coisa. Porque logo a seguir o feito é desfeito, uma e cem vezes. Até que um dia não. E se durar dez anos, no fim é fodido, é certo. Mas entretanto,uma benção. Ou não, se a jogada fôr em declive, um lento e pavoroso desmoronar, dia a dia. Só vendo, sempre.
Nas idades mais avançadas, o sexo ganha diferentes cores. Porquê? Porque em princípio é difícil a não repetição. Porque sexo é (também) um jogo. E a consciência do jogo limita o voo, sempre. E então podemos ou relativizar e avançar directamente para o centro do court de ténis e jogar sem mais instrução, ou, pelo contrário, ir atrasando a partida para um fim de época ainda por vir, e vamos falando. O risco é a época nunca chegar realmente ao fim ou a essa final tão desejada, por nunca por nunca os atletas se sentirem preparados para o embate. Porque o sexo também é embate, competição, medida, corrida, meta. E mate. Deseja-se que sem "cheque" pelo meio.
E o "amor"? É uma hipótese. E correm muitas teorias sobre.
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