terça-feira, 6 de outubro de 2009

3ª homenagem a Inês Pedrosa

Morava eu portanto em vila de médio sapato, a distância não grande da muy nobre, leal e invicta. Tinha fama de centro importante de tráfico de droga no Norte, a par de Vila Nova de Gaia. Tínhamos um certo orgulho nisso, até porque, bem avisados, só lá ia quem queria – não tive nenhum amigo próximo com problemas graves de toxicodependência, conhecidos sim, vários, malta da Primária e de “baixa extracção”, amigos antigos que sempre saudei pelas ruas, não faziam mal a uma mosca. De outros soube depois. No 9º ano, por ex., adquirimos alguns rapazes para a turma, repetentes, que metiam umas pastilhas e fumariam umas ganzas, uma vez tivemos que pôr um debaixo do chuveiro para acordar, nada de especial. Eram repetentes e assim para trás ficaram, os que não repetiram foram simpaticamente absorvidos pelo pessoal como boa gente.
O café da malta, que eu como semi-malta, lembro, raramente frequentava, era o café de quem era quem na terra, entrava lá o meu pai por ex., não era sítio para complicações. Dali se saía para a praia, para os copos, para a noite, quando eles ou ela haviam. No fim de tudo apareceu uma discoteca, anos depois as discotecas dariam problemas na terrinha, os disparates do costume dentro e fora das instalações, nos meus tempos pelo que ouvia dizer nem por isso.
No 12º ainda ninguém tinha carro, entrou um tipo para o grupo que tinha uma Hi-Ace e assim fazia transportes “públicos” de muita gente para muito lado. Outros tinham umas “aceleras”. A maior parte tinha bicicleta e chegava, era o necessário para ir à praia no verão.
A viagem de finalistas era uma instituição e aí acontecia sobretudo muita bebida e mais nada, o grupo como efeito inibidor de uma trajectória de sedução que sempre implicaria um amansar da masculina fera. Na viagem de finalistas um amigo meu atirou-se à piscina às três da manhã e fez a clássica luxação da coluna cervical, esteve internado no Hospital, fomos visitá-lo pois uma amiga minha tinha uma irmã enfermeira. Anos depois com esse meu amigo faria um programa de rádio com música fixe onde nem sempre as horas eram certas nem os blocos de notícias ou publicitários saiam quando era preciso. Esqueceu-me o nome do programa.

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